quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Confissões de uma dona de casa.

Maria,olhava as luzes da cidade,que esquisitas e enjoativas elas ficavam toda noite e uma monotonia enorme a circulava dentro de seu carro de volta pra casa.Cansada daquele chefe filho da puta,daqueles filhos ingratos,daquele marido broxa e desatencioso.Queria viver mais,com mais emoção,com mais tesão,queria curtir como uma jovem desprendida de tudo que a sufocasse.Foi ser puta. E por que uma jovem senhora de quarenta e cinco anos,tomaria uma decisão tão imoral dessas em meio a um trânsito caótico,com um tanque cheio de roupas pra lavar,uma janta a se fazer e uns petiscos pra fritar pro futebol?Estaria louca da mais pura droga,do insconsciente,estava limpa de seu juízo,sempre tão correto,careta,boboca como todos seus familiares,estava decidida,inventaria uma desculpa,dormiria fora e seria por uma noite puta.
Deixou o carro em um estacionamento na Augusta e subiu a rua com seu vestido florido que marcava o tão bem delineado e inteiro corpo da mulher,com um salto alto fazendo um barulho que ela mesmo odiara,chamou a atenção por onde quer que passase,mesmo com rugas,sem pintura,não estava ridícula e sim bonita,como era.Sentou em uma mesa de bar e fora o suficiente para que um rapaz se sentasse ao lado dela soltando gracejos e propostas indecentes,ela topou,o levou em seu carro para um motel ali perto mesmo e transaram a noite inteira: Ah como era fantástico gemer com gosto,sem fingimentos,sem culpas,com muito pudor e malícia,Maria se sentia no céu,no extâse do prazer e só queria gozar,gozar e gozar .
O rapaz chamava-se André,uns vinte e cinco anos,barba cerrada,cabelos um pouco compridos,altura mediana e corpo de moleque com olhos de um homem bastante vivido,não foi de falar muito,mas logo pela manhã ao ver então tal mulher majestosa ao seu lado,beijou-lhe como se fosse a primeira e a última em sua vida.A amara de um jeito único,em uma noite,como se fossem em mil.
No café da manhã,silêncio entre os dois,tilintar de talheres,liquídos a mexer nas xícaras,André perguntou o quanto ela queria receber para ser fixa dele pra sempre e com um riso sarcástico e apaixonante a jovem senhora limpou a boca,pegou a bolsa,ignorou a pergunta e saiu.
Inconformado, o rapaz correu atrás dela, que com uma cara de menina que apronta, justificou o que fez não como uma mulher que se vende por dinheiro e sim como uma mulher que quis se doar para o prazer dela mesmo,sem medo,sem custo,sem vergonha,quis ser puta na cama,algo que não era há muito tempo,aliás nunca fora,e realizando seu sonho com quem pouco importasse,hoje ela podia se sentir mais completa e motivada a continuar nessa sua descoberta pelo prazer escondido que seu incapaz marido nunca despertara.Deu-lhe um beijo,um aperto nas bochechas,pegou seu carro e foi-se embora.
Ela sabia que tinha mexido com os sentimentos do moço e tal poder a tornara tão mulher,que sentira o ego inflar lá no alto,não queria saber mais dele,e tanto importava se tinha a amado tão rápido,pois um turbilhão de pratos deviam esperá-la na pia e uma boa cara de sofrida para contar sobre a tia avó que havia falecido ontem a noite.
Maria sorria,de volta a vidinha....

Flores sem cores

 Regina observava Violeta não mais com aquele sentimento divertido e sim com um de ternura e tristeza:aqueles olhos da amiga,duros,escuros,sem brilho,sem a umidade de sempre,paralisados.Com delicadeza tocou em seu rosto: estava gelado,sem cor e nem o blush importado conseguirá deixá-lo mais corado.Olhou o corpo dela por inteiro,cada parte daquele corpo esculpido pela gentil genética que a fizera como que por encomenda,jovem,tinha cabelos anelados como espirais a brilhar,que naquele momento realmente eram a única coisa que ainda reluziam,nem seu vestido cheio de flores parecia ter perfume algum, pelo contrário,as flores tentavam pintá-la com mais vida.
Regina,segurando a mão de Violeta,e com a outra sob seu rosto,pensara em como aquela amizade era imensa,quase irmãs,e como ontem a noite tinha sido tão divertido e inesquecível,como quase tudo que vivia com ela.
Os pais de Violeta  chegaram aos prantos,vindo com os médicos  e a polícia,fora um ataque cardíaco,sem motivo,enquanto ela assistia na tv um de seus filmes preferidos,não se sabe se de emoção,ou qualquer sentimento que rondasse a amiga,apenas se sabe que seu coração deixou de trabalhar sem dar justificativa alguma aos amigos,parentes e a própria Violeta que agora descansava em eterno repouso.
Regina ignorou a confusão,os gritos,os choros,tirou a mão da amiga e com delicadeza fechou -lhe os olhos,beijou -lhe no olho e saiu.
A cada passo a casa parecia se tornar maior e a menina continuava a pensar em como a morte era traiçoeira,sorrateira por ter raptado a amiga sem mais nem menos,e sentia uma enorme dor de raiva,se pudesse acertaria um soco bem dado na "Senhora Morte",que audácia enlaçar Violeta em seu abraço fulminante,em levá-la sem que ao menos ela pudesse se despedir.
Saindo de perto do quarto,sem dizer uma palavra a ninguém,foi se retirando dali e como uma criança com medo,sentou-se no chão da sala,abraçando seus joelhos,de olhos fechados, como se quisesse sumir,acordar daquele pesadelo chamado de dura realidade.
- "Descanse em paz,se eu conseguir te deixar em paz minha amiga."
Sussurou com um sorriso desesperado.