quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Feche as cortinas...

Elis,deitada na cama ainda sentia o cheiro do sexo em seu corpo e ele parecia se acentuar cada vez mais,fazendo com que adentrasse sua mente e ela ouvisse os gemidos e sussurros de horas atrás.
Se sentira suja,como se fosse uma puta,outra hora se achava culpada pelo que fizera e com quem fizera,não devia fazer as coisas que de uma hora pra outra explodissem sem razão e despertassem nela um tesão e uma loucura capazes de cegar,deixá-la surda e apagar qualquer coisa que fosse ligada a consciência ou a realidade.Ambos as vezes não existiam para ela,mas de uma hora pra outra despencavam de uma vez só.
Ao entrar no banheiro,tirou a roupa e examinou-se no espelho, procurando algum vestígio em seu corpo: olhara os seios, e lembrara onde eles estiveram a minutos atrás,olhara a barriga,cintura,bunda,pernas e até pescoço e orelhas apenas para se certificar de que tudo estava no lugar.
No chuveiro,a água levava seus pecados,suas alegrias de poucas horas e sua loucura de jovem insana.A esponja corria de cima a baixo e era esfregada em cada pedacinho dela,como se arrancasse a pele "usada"e todos os sentimentos que nela eram depositados e sentidos, ao fechar o chuveiro parou por uns instantes e prometeu a si mesma,como sempre, nunca mais voltar a vê-lo.Seria definitivo!
Temia que suas promessas fossem descompridas,que ela estivesse perdendo o tão prezado juízo,que admitia, o possuia em pequenas doses,que usava quando necessário,mas se esquecia em algumas ocasiões tão importantes como as de meses atrás,chegando a de hoje.De que adiantaria chorar? Suas lágrimas só salgariam seus lábios, deixariam seus olhos inchados e aumentariam a coriza no nariz,ela chorava com o coração,com a alma e choro mais verdadeiro que esse nenhum balde de lágrimas as vezes pode representar.
Sentada na varanda olhava o céu cinzento que ao lado dele parecia estar sempre bonito,e sentia o friozinho fora de época que sempre era um calor majestoso e imenso naquele quarto proibido.Malditas lembranças que teimavam em tomar a mente e derrubar tantas outras que poderiam até significar mais,mas ficavam misturadas com estas novas que pareciam ser tão intensas,não pareciam ser de verdade,como se a vida fosse uma peça da qual,ela ensaiava várias vezes,porém nunca chegara ao final,ainda não se decidira.O medo nessas horas dava a mão a ela,e a culpa a agarrava de um jeito que a sufocando a transformava em um monstro devorador de felicidades,corações e normalidades.
Suspirando e com os grandes olhos de ressaca mirando o nada,no escuro em sua cama, Elis sonhara  de olhos abertos,sonhara com o fim dessa peça,cansando-se de encenações que por mais que fizessem ambos muito felizes,não deveriam ser repetidas.Dessa vez seria definitivo!

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