quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Flores sem cores

 Regina observava Violeta não mais com aquele sentimento divertido e sim com um de ternura e tristeza:aqueles olhos da amiga,duros,escuros,sem brilho,sem a umidade de sempre,paralisados.Com delicadeza tocou em seu rosto: estava gelado,sem cor e nem o blush importado conseguirá deixá-lo mais corado.Olhou o corpo dela por inteiro,cada parte daquele corpo esculpido pela gentil genética que a fizera como que por encomenda,jovem,tinha cabelos anelados como espirais a brilhar,que naquele momento realmente eram a única coisa que ainda reluziam,nem seu vestido cheio de flores parecia ter perfume algum, pelo contrário,as flores tentavam pintá-la com mais vida.
Regina,segurando a mão de Violeta,e com a outra sob seu rosto,pensara em como aquela amizade era imensa,quase irmãs,e como ontem a noite tinha sido tão divertido e inesquecível,como quase tudo que vivia com ela.
Os pais de Violeta  chegaram aos prantos,vindo com os médicos  e a polícia,fora um ataque cardíaco,sem motivo,enquanto ela assistia na tv um de seus filmes preferidos,não se sabe se de emoção,ou qualquer sentimento que rondasse a amiga,apenas se sabe que seu coração deixou de trabalhar sem dar justificativa alguma aos amigos,parentes e a própria Violeta que agora descansava em eterno repouso.
Regina ignorou a confusão,os gritos,os choros,tirou a mão da amiga e com delicadeza fechou -lhe os olhos,beijou -lhe no olho e saiu.
A cada passo a casa parecia se tornar maior e a menina continuava a pensar em como a morte era traiçoeira,sorrateira por ter raptado a amiga sem mais nem menos,e sentia uma enorme dor de raiva,se pudesse acertaria um soco bem dado na "Senhora Morte",que audácia enlaçar Violeta em seu abraço fulminante,em levá-la sem que ao menos ela pudesse se despedir.
Saindo de perto do quarto,sem dizer uma palavra a ninguém,foi se retirando dali e como uma criança com medo,sentou-se no chão da sala,abraçando seus joelhos,de olhos fechados, como se quisesse sumir,acordar daquele pesadelo chamado de dura realidade.
- "Descanse em paz,se eu conseguir te deixar em paz minha amiga."
Sussurou com um sorriso desesperado.












2 comentários:

  1. É difícil entender, ou pelo menos aceitar. Mas se pode aprender muito com a morte de alguém. =^)

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  2. Lidar com a morte é sempre algo difícil...
    Mas estamos destinados a encarar ela um dia.

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